• Robson Beck

Distribuição, Evolução e Amplitude dos Preços de Pinus no Sul do Brasil

A análise constante do mercado é de fundamental importância para o entendimento, planejamento e condução adequada dos negócios. Se considerarmos o atual, e mais recente cenário econômico turbulento que o Brasil vem enfrentando, essa importância se torna ainda mais latente.

Nesse contexto, a CONSUFOR realiza trimestralmente uma pesquisa de preços de madeira de Pinus a fim de monitorar o mercado de madeira no país e os principais aspectos que o influenciam. Essa pesquisa é realizada através de entrevistas com os principais players do setor de florestas plantadas e industrial do Brasil. Atualmente, quase 90% de toda a área plantada de Pinus está distribuída entre os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde o mercado de toras desse gênero é mais desenvolvido e consolidado. Por esse motivo, para efeitos de análise, considerou-se nesse estudo informações coletadas referentes à região Sul do Brasil.

De maneira geral, os preços de madeira de Pinus são concentrados em determinadas classes de sortimento, dadas pelo seu diâmetro medido na ponta mais fina da tora. É importante destacar que essas classes de sortimento não são rígidas, pois cada mercado regional pratica a comercialização das toras sob diferentes formas. Contudo, as classes mais usualmente praticadas pelo mercado são:

  1. 8 a 18 cm;

  2. 18 a 25 cm;

  3. 25 a 35 cm, e,

  4. > 35 cm.

A Figura 1 apresenta a atual (1º trimestre de 2018) distribuição das 357 amostras de preços de Pinus coletadas pela CONSUFOR em relação à classe diamétrica (representada pela cor da bolha) e ao volume (representado pelo tamanho da bolha).

FIGURA 1 – DISTRIBUIÇÃO DAS AMOSTRAS DE PREÇOS DE PINUS – 1º TRIMESTRE DE 2018

Fonte: CONSUFOR

A maior concentração de volume se encontra na classe de madeira mais fina (8-18 cm), que representa quase metade do volume total comercializado. Esse grande volume se justifica, pois os principais consumidores desse tipo de madeira são as plantas de celulose e papel e de painéis reconstituídos, que, via de regra, possuem unidades industriais robustas que demandam altos volumes de madeira.

Por outro lado, as toras mais grossas (>35 cm) apresentam um volume comercializado bem mais modesto, apenas 6% do total, e são normalmente destinadas a produção de lâminas para fabricação de compensados e para algumas serrarias que possuem capacidade e tecnologia para trabalhar com esse tipo de madeira.

Com relação aos preços de madeira, é possível observar que a concentração das amostras de preços é maior nos sortimentos mais finos (8-18 cm e 18-25 cm) e menor, ou mais pulverizado, nos sortimentos mais grossos (25-35 cm e >35 cm).

A Figura 2 mostra a evolução histórica recente (últimos 5 anos) dos preços de madeira em pé (em termos nominais) de cada um dos 4 sortimentos destacados. As amostras identificadas nos gráficos representam os dados coletados pela CONSUFOR e harmonizados para preços de madeira em pé. A linha de tendência, por sua vez, foi calculada através da média ponderada pelo volume comercializado de cada uma das amostras.

FIGURA 2 – EVOLUÇÃO NOMINAL DAS AMOSTRAS DE PREÇOS DE PINUS – POR SORTIMENTO

Fonte: CONSUFOR

Considerando o período histórico que abrange os últimos cinco anos, é possível afirmar que os preços de madeira de Pinus possuem comportamentos e amplitudes distintas quanto às classes de diâmetro.

Dentre as 4 classes de sortimento a madeira de 8-18 cm é a que apresenta a menor amplitude (diferença entre o maior e menor preço) de preços. Essa madeira é principalmente consumida por indústrias que produzem celulose e painéis reconstituídos, e que geralmente necessitam de volumes bastante significativos de matéria-prima, sem necessariamente se importar muito com a qualidade da tora (idade, densidade, conicidade, etc). Essas empresas acabam ditando o nível de preços do mercado, visto que normalmente são os principais players da região. Nesse sentido, muitas vezes o produtor florestal tem dificuldade de negociar preços fora do range “determinado” pelos grandes consumidores, o que se traduz em uma amplitude de preços menor.

Nesse período o preço médio ponderado da madeira fina (até 18 cm de diâmetro) sofreu uma queda nominal de 13%. Essa queda vem ocorrendo pois, apesar das expansões industriais e crescimento da demanda, a oferta de madeira acabou superando a capacidade do mercado. Esse excedente acabou por gerar uma pressão para redução dos preços, que mesmo mantendo-se nos mesmos patamares de amplitude ao longo do período, registrou um preço médio ponderado inferior ao final do período.

A madeira intermediária (18-25 cm) é utilizada tanto na indústria de celulose e painéis reconstituídos, como em algumas serrarias. Essa classe apresentou um aumento da amplitude de preços durante os últimos 5 anos assim como um crescimento do preço médio de 38% (em termos nominais). Apesar dessa amplitude ser um pouco superior à observada na classe de 8-18 cm, esse sortimento também sofre influência dos grandes consumidores de madeira que tendem a impor seu preço no mercado.

Os sortimentos mais grossos, 25-35 cm e acima de 35 cm, são basicamente usados por serrarias e laminadoras e são as classes que apresentam os maiores níveis de amplitude de preço. Essa grande variação de preços é reflexo de vários fatores que promovem uma maior diversidade de negociações entre o produtor florestal e as indústrias consumidoras. Dentre estes fatores destacam-se a Demanda (Localização do Consumidor) e a Qualidade da Tora.

  1. Demanda (Localização do Consumidor): de modo geral a oferta de madeira de diâmetros mais elevados é menor em relação às toras mais finas. Em regiões onde existe um mercado ativo e consolidado para esse tipo de madeira, com grandes consumidores, a tendência é que se o produtor florestal estiver a uma distância razoável desses consumidores ele consiga negociar preços em pé mais elevados junto a esses mercados. Porém, quanto mais afastado dessas regiões, o produtor ficará mais limitado quanto à negociação, devido aos altos custos de frete que tendem a compor parte significativa do preço final para o consumidor. Em casos mais extremos, se o produtor florestal se encontra muito afastado desses consumidores e em uma região onde o consumo de madeira de processo seja intenso, essa madeira poderá ser negociada a preços de classes de sortimento inferiores.

  2. Qualidade da Madeira: os principais produtos derivados dessas classes de madeira mais grossa são altamente influenciados pela qualidade da madeira, o que permite ao produtor florestal um range maior de negociação. O vendedor/comprador pode oferecer/exigir toras de maior ou menor qualidade (idade, densidade, conicidade, poda etc), o que influenciará diretamente no preço comercializado, pois diferentes características resultarão em produtos e rendimentos industriais diferentes.

Essas classes (25-35 cm e >35 cm) são também as que apresentaram os maiores incrementos nominais em termos de preço médio ponderado nos últimos 5 anos. A classe 25-35 cm apresentou um crescimento nominal de 53% enquanto o sortimento >35 cm cresceu nominalmente 47%.

Esse crescimento mais acentuado se deve ao fato de ao longo dos últimos anos, muitos produtores florestais alteraram seu regime de manejo com o intuito de reduzir o ciclo das florestas. Essa mudança acabou por aumentar a produção de madeira fina e diminuir a produção de madeira grossa. Porém, recentemente, o que se observa é uma retomada dos setores que consomem madeira grossa, motivados principalmente pela demanda internacional e câmbio favorável. Essa retomada acabou gerando um descompasso entre uma oferta menor e demanda maior, que resultou em uma pressão de alta nos preços nominais.

Cabe então destacar que com exceção da madeira mais fina (8-18 cm), que nos últimos 5 anos tem apresentado quedas nominais, as outras classes de sortimento tiveram um incremento nominal de preço, sendo que as mais grossas (25-35 cm e >35 cm) se sobressaem com um crescimento mais significativo. Porém, se considerarmos a inflação do Brasil, que aumentou de forma contínua e em alguns momentos de forma bastante expressiva, esses “ganhos” são significativamente amortizados, conforme mostra a Figura 3.

FIGURA 3 – EVOLUÇÃO DOS PREÇOS MÉDIOS PONDERADOS DE PINUS NO SUL DO BRASIL

Fonte: CONSUFOR

Dessa forma, ao considerar a inflação total do período, a tora de 8-18 cm apresenta uma queda real de preços significativa de 36%. As outras classes por outro lado apresentaram crescimento real, porém muito mais modestos: 1% para toras de 18-25 cm, 12% para as de 25-35 cm e 8% para as acima de 35 cm.

No decorrer de 2018, os setores que consomem madeira mais grossa (serrarias, laminadoras, etc) devem continuar a crescer, principalmente por meio das exportações, o que pode continuar gerando um incremento nos preços de madeira. Por outro lado, no caso da madeira fina, não se espera uma recuperação significativa, podendo inclusive manter a tendência de queda real de preços.

Cabe lembrar também que o negócio florestal é regionalizado, ou seja, as variações observadas de preço também são significativamente influenciadas pela região em análise. Dessa forma, é importante monitorar a evolução e movimentos dos fornecedores e consumidores regionais, a fim de entender melhor o mercado e analisar os possíveis cenários no curto, médio e longo prazo.

Portanto, a elaboração de uma estratégia bem delineada, com base em um monitoramento bem estruturado e feito de forma imparcial é de fundamental importância para que a empresa possa analisar esses cenários e ter um entendimento profundo do mercado, sua evolução e suas tendências.


Lucas Santana Engenheiro Industrial da Madeira


#tora #pineprices #classesdesortimento #madeiraempé #pinewoodprices #diameter #inflação #PREÇOS #demand #diâmetro #log #assortment

3 visualizações0 comentário

© 2020 Consufor Consultoria

  • Facebook - Consufor
  • Instagram - Consufor
  • LinkedIn - Consufor