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Pau para toda obra

Atualizado: Mar 10

CONSUFOR na ISTO É DINHEIRO.


Conheça a estratégia do grupo carioca Ático, que administra R$ 1,4 bilhão em ativos, para transformar florestas plantadas em fonte de energia e lucros Quem transita pelos cerca de 300 quilômetros que separam a capital Curitiba da pequena Bituruna, no Sudoeste do Paraná, tem uma visão quase que constante de vales e montanhas, ao longo da BR-476. A topografia e a baixa temperatura, com média anual de 16 ºC, ajudam a explicar porque a produção de alimentos em larga escala nunca foi o forte da região. Mas isso não significa que daquele solo não brote riquezas. Muito ao contrário. Praticamente toda a economia da região depende do manejo de florestas plantadas de pinus. Uma parte expressiva dessa atividade acontece nas 29 fazendas da Remasa Reflorestadora. O controle da empresa é dividido entre a Tree Florestal, do grupo Ático, baseado no Rio de Janeiro, que administra fundos no valor de R$ 1,4 bilhão, e a família Gugelmin, cujo integrante mais conhecido é o ex-piloto da F-Indy, Maurício Gugelmin. O pinus cultivado em 18 mil hectares, metade da área total, serve de base para a produção de chapas de compensado, exportadas para os Estados Unidos, a Europa e a Ásia. Neste ano, a colheita deverá render R$ 54 milhões, quase o dobro do obtido em 2014. “A parceria com a Tree garantiu os recursos necessários para expandirmos nossas atividades”, afirma Gilson Geronasso, vice-presidente da Remasa. A parceria começou em outubro de 2012, com a compra de 49,9% das ações da Remasa, por um valor não revelado. “Usamos a totalidade dos recursos para fortalecer o caixa e adquirir novas áreas produtivas”, diz.

Em um segmento cujo ciclo produtivo é longo, os  recursos para bancar o custeio da operação são importantes. Afinal, entre o plantio da muda de pinus e o primeiro corte é preciso esperar pelo menos cinco anos. Também é necessário fortalecer a gestão para que uma musculatura mais densa se reflita na rentabilidade. Para se beneficiar da sinergia, a Remasa fez mudanças na administração das fazendas Chopin e da Timbó Reflorestamento, adquiridas nesse período. Unificou as áreas comercial e produtiva e racionalizou o uso das máquinas utilizadas no corte de madeira. 

O segmento florestal entrou no radar da Tree Florestal em 2004, quando o grupo Ático começou a estudar o tema. Desde então, já foram aplicados R$ 200 milhões no setor. Os recursos foram captados por meio de fundos destinados a investidores institucionais do Brasil e do exterior. “A floresta é uma poupança de longo prazo”, afirma Ricardo Junqueira, diretor do grupo Ático e presidente da Tree Florestal. Nessa bolada constam desde a parceria com a Remasa até o lançamento da Tree Trading. O avanço do grupo segue a lógica de captura das sinergias entre os negócios. A trading foi pensada como forma de ampliar a atuação em um setor marcado pelo elevado número de empresas de controle familiar, que muitas vezes têm dificuldades de acessar o mercado internacional. 

Nessa linha, o grupo resolveu investir, ainda, em combustível renovável para usinas termelétricas. Para isso, reabriu a captação de dois de seus fundos, com a expectativa de obter R$ 160 milhões. Esse dinheiro será usado por sua controlada Bolt Energias no projeto de uma termelétrica no Oeste da Bahia, a UTE Campo Grande, alimentada com cavados de eucalipto. O plantio ficará por conta da Tree Florestal. “Se levarmos em consideração apenas os projetos de termelétricas baseadas na queima de madeira, o Brasil precisará expandir a área plantada com florestas em 300 mil hectares”, diz o economista Ederson de Almeida, diretor da Consufor, consultoria especializada no setor florestal. 

A Remasa tem sido a base para que o grupo Ático adquira experiência e valide suas estratégias no segmento florestal.  Por enquanto, de acordo com Geronasso, o vice-presidente da Remasa, a parceria tem  se revelado uma relação ganha-ganha. Graças à injeção de capital, a empresa da família Gugelmin vem conseguindo vitórias importantes como a obtenção do certificado FSC, indispensável para quem deseja exportar para mercados mais exigentes. Também aumentou sua produtividade, mediante a melhoria de seus processos. Hoje, cada hectare rende 40 m³ de madeira por ano. Média invejável até mesmo para o Brasil, onde o máximo é de 33,5 m³, e amplamente superior à verificada nos EUA, de 14m³ anuais. “Mas já estamos trabalhando para elevar nossos índices para 42 m³ por ano”, diz Geronasso. O executivo não se desliga da floresta nem quando deixa a sede da Remasa, em Bituruna, e segue para sua casa em um condomínio de classe média alta, em Curitiba. Lá, ele pode ser visto abraçando árvores, para  desolação da mulher e dos filhos.

Fonte: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/negocios/20150904/pau-para-toda-obra/293885

04/09/2015 10:00 // Por: Rosenildo Gomes Ferreira

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